Na escola, aprendemos muita coisa. Sim, isso é óbvio, mas a obviedade não está na história da colonização do Brasil, nem sobre a caatinga e muito menos em Bháskara. Também aprendemos que não podemos xingar, bater, ofender e nem morder o coleguinha. Na “escola da vida” – odeio esse termo, acho brega – aprendemos a respeitar o próximo, a sermos éticos, a agirmos dentro da moral. Neste caso, a ética, a moral e o respeito são menos usados do que “Δ = b² – 4xAxC”, mas isso também não vem ao caso.
Na realidade, estou incomodado porque em nenhuma dessas escolas, em nenhuma conversa com parentes, amigos ou desconhecidos no ponto de ônibus foi nos dito que teríamos que aprender a lidar com a personalidade das pessoas, ou ego, como é comumente chamado. Na aula de Psicologia da faculdade, aprendi sobre a fase oral, anal e fálica, mas não aprendi que eu deveria interpretar as feições de um terceiro para tentar imaginar o que ele pensa, para que assim eu possa pensar a respeito de seu pensamento e ter uma abordagem que se encaixe no que ele sente. Ninguém me disse que eu precisaria pegar uma régua fictícia e medir cada palavra que sai da minha boca, pois algumas delas podem ser grandes demais para outra pessoa engolir. Também não sentaram comigo na beira da cama, em tom de sermão, e disseram: “Olha, agora, em qualquer lugar do mundo, existe alguém que está tendo um dia péssimo. Por isso, tome cuidado com o que você vai falar, pois pode ser que você esteja falando com uma pessoa que não está bem.”.
Nunca me ensinaram nada disso, mas tive que aprender a administrar os sentimentos de terceiros. Aprendi a pensar com a cabeça de um para não magoar o outro. Descobri que não posso falar que sei de algo quando de fato sei, pelo simples fato de poder chatear alguém. De toda forma, não sei fazer isso todo o tempo, o tempo todo, por ser normal, por ser humano e porque ninguém me explicou como dominar esse tipo de conhecimento.
Contudo, boa parte das pessoas que conheço não aprendeu. Não as culpo, pois todas estudaram na mesma instituição de ensino que eu e ela não ensina nada disso.
O mundo já descobriu a empatia, mas talvez ainda não saibam como lecionar.
Há pouco tempo atrás eu postei sobre a cagação de regras no Instagram, falando do que pode, do que não pode e de quem só quer ser feliz postando suas fotos no app. Agora vem o post para apontar o dedo na cara de quem te deu unfollow, pra você analisar e tentar descobrir de onde vem a mágoa (às vezes porque você é muito feliz nas fotos e as recalcadas não gostam da felicidade alheia).
Stat.gram
Esse site é bem completo e te dá estatísticas interessantes, como a taxa de engajamento dos likes de suas fotos sobre a sua base de amigos. A partir do momento que você autoriza a sua conta, basta entrar no site para saber o que mudou entre seus amigos.
InstaFollow
O app para iPhone e Android mostra os seus novos seguidores, quem te deu unfollow, quem não te segue de volta e quem você não segue de volta. Bem simples! Basta atualizar toda vez que quiser saber as novidades de seu Instagram.
Já usou algum outro ou prefere nem saber dessas coisas?
Não me vejo ansioso por datas comemorativas, como Natal e Ano Novo, para ir à papelaria, comprar vários cartões bonitinhos e enviar para alguém que amo. Hoje, no máximo, mando uma inbox ou deixo uma mensagem no mural com um simples “boas festas!”. É de coração, mas de longe é parecido com o que nossos pais e avós fazem: ter carinho e cuidado em cada mensagem.
Os “mais velhos” tem costumes que não temos. Não pegamos o telefone e ligamos para alguém que não falamos há anos. Se um amigo não está nas redes sociais, dificilmente será lembrado. Não gastamos mais com SMS, só com Whatsapp. Quem não tem smartphone, paciência, não merece falar conosco. Não mandamos cartões postais quando viajamos. Se passarmos numa banca de jornal, estarão lá, empoeirados. Não escrevemos mais cartas, só e-mails. Quem não tem um, não merece nossas palavras.
Desaprendemos o físico e convivemos apenas com o que é virtual. Papel é caneta é retrogrado. Telefone fixo é ultrapassado.
Sinto falta desses pequenos hábitos que tornam qualquer manifestação de afeto realmente afetiva. Mas, numa era digital, ser vintage é postar uma foto em sépia, não escrever no papel de carta.
Que nossa geração deixe de ser vintage, e torne-se retrograda.