23
11/13

 

Todos os dias você faz coisas das quais está condicionado – ou acostumado, chame como quiser – o que chamamos tecnicamente de rotina. A rotina define quem você é, os seus gostos e onde você quer chegar. Mesmo que a sua rotina não tenha a ver com você, como um trabalho que não é muito do seu agrado ou a convivência com pessoas que não tenham a ver com o seu tipo de pensamento, inevitavelmente esse tipo de viver foi uma escolha condizente com o que você é. Viver é estar condicionado a uma rotina que diz exatamente quem é você.

 

Contudo, isso não significa que por fazer algo igual todos os dias você não possa pensar em outras rotinas completamente diferentes. O poder de se interessar por novas rotinas também diz quem você é. Isso não significa que você seja infeliz, mas que talvez a felicidade tenha a ver com o que você deseja, não com o que vive. Provavelmente é por isso que as pessoas reclamam diariamente. Elas externalizam o que as incomoda como forma de trazer para a realidade o que gostariam de ser. Reclamar sobre algo é invocar o contrário da reclamação. É desejar que aquele pedaço negativo da rotina se transforme em algo bom. Fazer uma crítica sobre o próprio cotidiano é uma forma de se lembrar que aquilo deveria mudar.

 

Vivemos entre os paralelos de ser e fazer. Para ser, precisamos fazer, e nem sempre o fazer é referente ao que deveríamos. Parece confuso, mas na prática é simples: fazemos o que é uma obrigação e consequentemente somos obrigados a “ser” isso. O dia em que deixamos o “ser” e os desejos externalizados tomarem conta do fazer, provavelmente deixaremos de viver entre paralelos.

 

Na rotina do Ser e Fazer, quem é o seu regente?

 


Comentários




© 2013 brunoernica.com                                                    Ilustração por Zé Mário.                                             Programação por Bárbara.