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Resolvi que finalmente escreveria um texto, daqueles que a gente fala tudo o que está entalado na garganta e que provavelmente muitas pessoas vão se identificar e pensar “nossa, foi escrito pra mim!”, só porque em algum momento da vida elas imaginaram a mesma coisa e não pararam para colocar em um moleskine, num papel de pão ou mesmo em um .doc de Word. É capaz que essas mesmas pessoas tenham tido as mesmas vontades que eu.

 

Elas estão com mil “projetinhos pessoais” que não colocam em prática. Estão com vontade de voltar para o inglês, já que há um bom tempo não conseguem mais acompanhar um seriado sem legenda e muito menos alcovitar o que um casal de gringos está falando na mesa ao lado no restaurante. Querem começar uma pós-graduação em qualquer coisa que seja reconhecida pelo mercado, só para enfeitar o currículo. Devem estar com desejo de colocar em prática aquelas vontades bobas de quando se é criança, como um bom curso de teatro e canto, e quem sabe atuar em uma peça de apresentação única com ingressos por simbólicos R$ 3. Precisam urgentemente fazer uma viagem para o exterior e estão procurando conselhos financeiros para economizar e em até um ano fazer um “mochilão-chic”, com hospedagem em hostels que saíram na Viagem e Turismo, e criar álbuns no Facebook com o nome de cada destino, incluindo um monte de fotos de pontos turísticos que poderiam ter sido facilmente retiradas do Google.

 

Acho que essas pessoas que possuem vários pequenos sonhos que ainda não saíram do mundo das ideias têm um pouco de medo de largar uma vida de comodismos, seja no trabalho, família ou relacionamento. Não vão pedir demissão e jogar tudo pro alto por causa de um monte de besteirinhas,  até porque planejar o futuro profissional da muito mais trabalho do que planejar o pessoal.

 

Provavelmente essas pessoas jamais saberão o prazer de conhecer a si próprias, suas verdadeiras capacidades e prazeres diários encontrados em realizações íntimas. Provavelmente essas pessoas preferem viver com a certeza do que possuem que buscar novas certezas para viver. Provavelmente essas pessoas não se descobriram. Provavelmente essas pessoas “sou” eu.


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