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03/13

Na escola, aprendemos muita coisa. Sim, isso é óbvio, mas a obviedade não está na história da colonização do Brasil, nem sobre a caatinga e muito menos em Bháskara. Também aprendemos que não podemos xingar, bater, ofender e nem morder o coleguinha. Na “escola da vida” – odeio esse termo, acho brega – aprendemos a respeitar o próximo, a sermos éticos, a agirmos dentro da moral. Neste caso, a ética, a moral e o respeito são menos usados do que “Δ = b² – 4xAxC”, mas isso também não vem ao caso.

Na realidade, estou incomodado porque em nenhuma dessas escolas, em nenhuma conversa com parentes, amigos ou desconhecidos no ponto de ônibus foi nos dito que teríamos que aprender a lidar com a personalidade das pessoas, ou ego, como é comumente chamado. Na aula de Psicologia da faculdade, aprendi sobre a fase oral, anal e fálica, mas não aprendi que eu deveria interpretar as feições de um terceiro para tentar imaginar o que ele pensa, para que assim eu possa pensar a respeito de seu pensamento e ter uma abordagem que se encaixe no que ele sente. Ninguém me disse que eu precisaria pegar uma régua fictícia e medir cada palavra que sai da minha boca, pois algumas delas podem ser grandes demais para outra pessoa engolir. Também não sentaram comigo na beira da cama, em tom de sermão, e disseram: “Olha, agora, em qualquer lugar do mundo, existe alguém que está tendo um dia péssimo. Por isso, tome cuidado com o que você vai falar, pois pode ser que você esteja falando com uma pessoa que não está bem.”.

Nunca me ensinaram nada disso, mas tive que aprender a administrar os sentimentos de terceiros. Aprendi a pensar com a cabeça de um para não magoar o outro. Descobri que não posso falar que sei de algo quando de fato sei, pelo simples fato de poder chatear alguém. De toda forma, não sei fazer isso todo o tempo, o tempo todo, por ser normal, por ser humano e porque ninguém me explicou como dominar esse tipo de conhecimento.

Contudo, boa parte das pessoas que conheço não aprendeu. Não as culpo, pois todas estudaram na mesma instituição de ensino que eu e ela não ensina nada disso.

O mundo já descobriu a empatia, mas talvez ainda não saibam como lecionar.


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